Sobre o casamento de Celsino e Clea, no relato de Celineia:
"Casaram-se em dezembro de 1942. No dia 8, por coincidência, dia de Nossa Senhora da Conceição. Muitos católicos escolhiam esta data para se casar, mas meu pai era pastor metodista, e como minha mãe, criado nesta Igreja. Sequer sabiam que era dia dedicado à Nossa Senhora. Casaram-se em plena Segunda Guerra Mundial, da qual, igualmente, mal tomavam conhecimento. As grandes questões políticas pouco ou nada traziam de aflição às famílias simples de pequenos agricultores. É bom lembrar que a época é a Pré-História da Comunicação: sem televisão, sem jornais no interior e com poucos aparelhos de rádio. Mamãe conta que meu avô Altivo costumava ir à noite para um boteco no arraial, junto com outros homens sérios, todos de paletó, gravata e chapéu, para ouvir a “Voz do Brasil”. E a maioria respondia ao cumprimento do repórter “Senhores ouvintes, boa-noite”. Havia até quem pedisse “a bênção” à voz misteriosa. Meu avô Altivo não era dos tais, pois, como o próprio nome sugeria, era homem discreto e inteligente, com ares de fidalgo, como se vê nos retratos que deixou.
O casamento foi na cidade de Muriaé e nem mesmo os pais dos noivos o
assistiram, pois ambos moravam na roça distante dali. A família de minha mãe morava em Belisário e a de meu pai, em Caparaó. Amigos, porém, os ajudaram e uma das irmãs de minha mãe, tia Ester, compareceu representando a família.
Não houve festas, nem mesmo um bolo, devido às dificuldades causadas pela distância entre o evento e a casa dos pais da noiva.
No tradicional retrato perante o altar, mamãe está linda e papai de cara
amarrada. Mamãe sempre contava, rindo, que ele estava furioso porque ela passara batom, um acinte. “Vaidade das vaidades, disse o pregador, tudo é vaidade”, deve ter dito meu pai, citando Eclesiastes, como costumava fazer. Só por causa do batom ameaçou desistir do casamento, imaginem! Corri assim o sério risco de ter sido eliminada antes mesmo de ser concebida. Mas, afinal, casou-se o bravo Celsino, ainda que de cara feia... um papelão.
Celinéia Paradela Ferreira escreveu essa mensagem no ano de 1998.
Voltando, porém a meus pais, viajaram no mesmo dia, de trem, para São Paulo, com baldeações e dois dias de viagem. Foram passar as festas de fim de ano na Igreja de São Roque, onde meu pai trabalhava como pastor ajudante, durante o período em que estudou na Faculdade de Teologia. Ali participaram dos cultos e comemorações de Natal e do Ano Novo.
Mamãe gostou da viagem, embora tenha ficado assustada ao serem surpreendidos no centro da cidade por um blecaute, tão comum no tempo da guerra. Estavam felizes, pois, afinal, meu pai cumprira o seu destino, profetizado pelo meu avô e sentido por ele internamente. Cumpriu integralmente, com fidelidade e plena entrega, o seu ministério.
Em janeiro de 1981, já inválido, ele contou isto com humor no Concílio
Regional da IV Região Eclesiástica em que foi homenageado por ocasião de sua aposentadoria. Contou para fazer graça, mas muitos choraram de emoção, por vê-lo, um mito para alguns, impedido pela trombose de continuar seu ministério. Disse ele naquela ocasião: “Quero dizer duas coisas. A primeira é que quando eu nasci a parteira falou alto para meu pai: "É homem". Parece que eu ouvi e procurei honrar isso por toda a minha vida. A segunda coisa é que meu pai naquela hora me consagrou a Deus para que eu fosse pastor”.
Mudando de assunto e de tronco familiar, veja aí os GONÇALVES ROCHA.
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E não é para lhe assustar, mas essa é Juliane, filha de Célia Regina. Escondido debaixo desse volume está o João, que está por chegar. É isso mesmo: Áurea será bisa.
Agachada é Raquel, filha de Joelson.
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Quem tem mais fotos para publicar? Cadê o pessoal de Dalva, Amauri...? |