Vamos dar mais um mergulho no início do século XX, para conhecermos um pouco mais da história de nossa família, através do relato de Clóvis, em seu livro A CASA DE MEUS PAIS E SUAS MUITAS MORADAS.
"Vovô Vida (Gil) comprou uma fazenda no Arraial do Soca, perto de Faria Lemos. Para lá foi com a família. Foi ele quem doou o lugar onde hoje é a Igreja Metodista de Faria Lemos, MG.
Foi do Arraial do Soca que meu avô Altivo saiu para ir buscar a minha avó, Izolina, em Vargem Alegre, para se casar. Vovó Ernestina reclamava da distância que a separava da filha, dizendo: “Esse mineirão brabo foi levar minha filha para tão longe”. Na época, as expressões “mineiro brabo” ou “mineiro pau” eram para registrar que o dito cujo era do interior do estado mesmo, lá de longe.
Vovô Altivo e a madrinha, após o casamento, foram morar num lugar chamado
Padaria, entre Tombos e Faria Lemos, onde meu avô teve uma propriedade. Nesse local, tiveram as maiores infelicidades de suas vidas, pois perderam três filhos dentre os quatro primeiros.
A madrinha falava sempre com muita tristeza dessas perdas. Meus avós ficaram desgostosos com o lugar, venderam a terra e compraram uma fazenda na Serra Queimada, para onde se mudaram, juntamente com minha tia Ester.
Na Serra Queimada, nasceram minha mãe e meus tios Gil, Elmerita (Nininha) e
Josué, de quem minha avó padeceu um parto difícil. Quando veio o tio Joaquim,
caçula, nascido em 26/05/1925, meus avós resolveram passar alguns dias em Faria Lemos, MG e ficar em uma das muitas casas que o vovô Vida (Gil) possuía.
Em Faria Lemos, havia mais recursos para acompanhar o parto. Nessa época, a
Igreja de Faria Lemos tinha um ponto de pregação na fazenda, na casa do vovô
Altivo. O terreno onde é a Igreja hoje foi doado por ele.
No início de 1928, meus avós resolveram vender a Fazenda de Serra Queimada e mudar-se para Belisário, perto de Muriaé, onde meu avô havia comprado um sítio. Com a crise de 1929 e a quebra do café, meu avô não falido, porém sem dinheiro algum, deixou a sua propriedade e voltou para a região de Faria Lemos, para trabalhar administrando duas fazendas do tio Darcé (Fazenda Miraserra no Arraial da Caatinga, e Fazenda dos Andes, onde meus avós moraram, perto de Santa Clara, MG). Já dizia um mineiro ilustre, “mineiro é sempre de perto, de algum lugar”.
Tio Joaquim, na época com quatro anos, contou que a viagem parecia ser de um bando de ciganos. Eram muitas pessoas: meu avô, avó, minha mãe e tios foram montados cada um em seu cavalo, juntamente com o José Isidoro, então noivo de minha tia Ester. Joaquim foi montado na cabeça do arreio do José Isidoro.
Em 1938/39, o primo Valter, filho do tio Darcé, formou-se e foi tomar conta da fazenda, juntamente com o vovô Altivo. Eles não se entenderam muito bem e o vovô, sentindo-se injustiçado, resolveu mudar-se novamente para seu sítio em Belisário. Nessa época, já tinha melhorado um pouco de vida e ali morou por muitos anos.
Em 1943, dentre os colonos que trabalhavam para meu avô Altivo, estava meu avô Virgílio que, saindo, da Serra do Caparaó, mudou-se para Belisário juntamente com minha avó, Carlota, e meus tios Isaías, Talita e Noeme, que ainda estavam solteiros.
Não conheci o vovô Altivo, mas mamãe e meus tios contavam que ele era um símbolo de paciência e compassividade. Sempre calmo e solícito para atender às necessidades dos filhos. Ele nunca batia nas crianças e quem as corrigia no chicote era minha avó. Quando uma criança acordava à noite e ficava com medo, a madrinha ficava impaciente e mandava dormir pra lá, mas o vô Altivo chamava para si e pacientemente ficava conversando e contando história até a criança dormir."
Foi do Arraial do Soca que meu avô Altivo saiu para ir buscar a minha avó, Izolina, em Vargem Alegre, para se casar. Vovó Ernestina reclamava da distância que a separava da filha, dizendo: “Esse mineirão brabo foi levar minha filha para tão longe”. Na época, as expressões “mineiro brabo” ou “mineiro pau” eram para registrar que o dito cujo era do interior do estado mesmo, lá de longe.
Vovô Altivo e a madrinha, após o casamento, foram morar num lugar chamado
Padaria, entre Tombos e Faria Lemos, onde meu avô teve uma propriedade. Nesse local, tiveram as maiores infelicidades de suas vidas, pois perderam três filhos dentre os quatro primeiros.
A madrinha falava sempre com muita tristeza dessas perdas. Meus avós ficaram desgostosos com o lugar, venderam a terra e compraram uma fazenda na Serra Queimada, para onde se mudaram, juntamente com minha tia Ester.
Na Serra Queimada, nasceram minha mãe e meus tios Gil, Elmerita (Nininha) e
Josué, de quem minha avó padeceu um parto difícil. Quando veio o tio Joaquim,
caçula, nascido em 26/05/1925, meus avós resolveram passar alguns dias em Faria Lemos, MG e ficar em uma das muitas casas que o vovô Vida (Gil) possuía.
Em Faria Lemos, havia mais recursos para acompanhar o parto. Nessa época, a
Igreja de Faria Lemos tinha um ponto de pregação na fazenda, na casa do vovô
Altivo. O terreno onde é a Igreja hoje foi doado por ele.
No início de 1928, meus avós resolveram vender a Fazenda de Serra Queimada e mudar-se para Belisário, perto de Muriaé, onde meu avô havia comprado um sítio. Com a crise de 1929 e a quebra do café, meu avô não falido, porém sem dinheiro algum, deixou a sua propriedade e voltou para a região de Faria Lemos, para trabalhar administrando duas fazendas do tio Darcé (Fazenda Miraserra no Arraial da Caatinga, e Fazenda dos Andes, onde meus avós moraram, perto de Santa Clara, MG). Já dizia um mineiro ilustre, “mineiro é sempre de perto, de algum lugar”.
Tio Joaquim, na época com quatro anos, contou que a viagem parecia ser de um bando de ciganos. Eram muitas pessoas: meu avô, avó, minha mãe e tios foram montados cada um em seu cavalo, juntamente com o José Isidoro, então noivo de minha tia Ester. Joaquim foi montado na cabeça do arreio do José Isidoro.
Em 1938/39, o primo Valter, filho do tio Darcé, formou-se e foi tomar conta da fazenda, juntamente com o vovô Altivo. Eles não se entenderam muito bem e o vovô, sentindo-se injustiçado, resolveu mudar-se novamente para seu sítio em Belisário. Nessa época, já tinha melhorado um pouco de vida e ali morou por muitos anos.
Em 1943, dentre os colonos que trabalhavam para meu avô Altivo, estava meu avô Virgílio que, saindo, da Serra do Caparaó, mudou-se para Belisário juntamente com minha avó, Carlota, e meus tios Isaías, Talita e Noeme, que ainda estavam solteiros.
Não conheci o vovô Altivo, mas mamãe e meus tios contavam que ele era um símbolo de paciência e compassividade. Sempre calmo e solícito para atender às necessidades dos filhos. Ele nunca batia nas crianças e quem as corrigia no chicote era minha avó. Quando uma criança acordava à noite e ficava com medo, a madrinha ficava impaciente e mandava dormir pra lá, mas o vô Altivo chamava para si e pacientemente ficava conversando e contando história até a criança dormir."
Um
comentário meu aqui na matéria é que curiosamente foi através desse
capítulo do livro que descobri que todos os nossos avós, meus e de
Mirian, moraram em Belisário. Já estávamos morando aqui quando
descobrimos isso. Estivemos nas ruínas da casa onde os avós Virgílio e
Carlota moraram, onde ainda tem pedaços do fogão a lenha. Nunca soube
exatamente onde foi o sítio de Padrinho e Madrinha.
Sempre vamos postar fotos e documentos, se vocês continuarem mandando, como fez Gilmar.
Veja essa carta de Salvador, datada de novembro de 1957, encaminhada a Cleonice, mãe de Leila Márcia (explicação para os mais novos), justificando a sua ausência no primeiro aniversário de Lúcio Flávio. Lucinho nos deixou muito precocemente. Moramos juntos, por um tempo, na casa de Tio José, na Rua Princesa Isabel, no Granbery, onde ele fazia CTU e eu Engenharia.
Época boa em que os Correios traziam coisas agradáveis. Hoje somente boletos, contas de água, luz, multa de trânsito e intimação da polícia.
Época boa em que os Correios traziam coisas agradáveis. Hoje somente boletos, contas de água, luz, multa de trânsito e intimação da polícia.
Veja que chique. Salvador tinha até papel timbrado em seu comércio em Patrocínio do Muriaé, onde ele também foi vereador, na primeira Câmara, depois de ser criado o município. Já tirei nessa foto lá. De repente alguma Sigiliano guardou e vai me mandar.
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| Letícia na direita. |








Meu Deus! Quanta história linda!
ResponderExcluirCleber, o papai me mostrou aí, em Belisário o lugar onde ficava a casa do vovo Altivo, onde mais tarde foi a morada do vô Jose e vó Ester. Fica num Grotão. Vou ver se tirei foto, naquele passeio que fizemos quando fui aí com eles.